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A hora, o local e a razão

12/2/2010
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Coltri Jr.*


Albert Einstein nos mostrou que o mundo em que vivemos possui quatro dimensões: o comprimento, a largura, a profundidade e o tempo. Usamos este conceito o tempo todo em todas as ciências que envolvem a odontologia. Os protocolos clínicos trabalham com estas variáveis. Em dentística, temos o comprimento correto de abertura da cavidade, qual largura as paredes suportam, a profundidade em relação à lesão e a localização da polpa. Temos o tempo de atuação do anestésico, tempo de presa dos materiais e assim por diante. Em implantodontia temos a largura do osso e do implante em si, assim como o comprimento deste. Temos o tempo de espera para colocação da prótese sobre o implante. Enfim, sem nos alongarmos nas exemplificações clínicas, vemos que as quatro dimensões propostas por Einstein estão sempre presentes em nossa profissão.
E nos aspectos da gestão do consultório, como fica?
A ideia, o conceito, vale para ela também. Na gestão, temos como exemplo o ponto onde a clínica está instalada como fator relevante. Ele confere (ou não) conveniência ao cliente. Quando morava em São Paulo, tive, por dez anos, um consultório quase no cruzamento das avenidas Ipiranga com São João. Ficava no 9º andar do Edifício Oiapoque (era conhecido por ser o prédio onde embaixo ficava o antigo Banco Nacional). O local era de fácil acesso aos trabalhadores da região e até de quem morava longe dali, porém próximo a alguma estação do Metrô. O consultório era de difícil visibilidade, pois ficava no alto do edifício.
Ainda, em relação às variáveis de localização, temos a ciência da ergonomia que nos revela as melhores posições de trabalho, de montagem dos equipamentos etc..
O tempo de trabalho em relação ao horário de abertura com o do fechamento do consultório também são fatores relevantes, em vista das necessidades e possibilidades de deslocamento dos pacientes. E assim por diante.
É importante termos em mente que os estudos de marketing nos permitem uma melhor decisão em relação a como usaremos a nosso favor as quatro dimensões trazidas por Einstein. Porém, o fator decisivo para que tudo isso se concretize em forma de sucesso profissional é a quinta dimensão, que é a razão, o porquê, o motivo. É preciso tecer um caminho profissional onde você saiba a razão de exercer a nossa tão digna profissão e, ao mesmo tempo, traga motivos para que as pessoas dirijam-se à sua clínica, queiram estar com você, desejem o seu apoio profissional para os problemas delas. E mais, a negociação do tratamento a ser realizado e do pagamento a ser efetuado está na razão. Os clientes perguntam: você é a pessoa certa para eu tratar? A localização de sua clínica é adequada à minha possibilidade de deslocamento (olha o fator local)? Sua clínica possui condições de higiene para que eu possa frequentá-la com segurança? Os tratamentos propostos precisam ser realizados, mesmo? Se precisam ser, precisa ser agora (olha o tempo aí de novo) ou pode esperar? A relação valor que eu percebo versus o preço que vou pagar é favorável a mim?  Eu tenho condições financeiras para arcar com esta nova despesa? Enfim, a razão (que envolve uma série de variáveis, umas mais importantes que outras) é que vai definir a negociação.
Na música Faroeste Caboclo, João de Santo Cristo pega a traição de Maria Lúcia com Jeremias e o chama para um duelo (Chegando em casa então ele chorou e pro inferno ele foi pela segunda vez, com Maria Lúcia Jeremias se casou e um filho nela ele fez; santo Cristo era só ódio por dentro e então o Jeremias pra um duelo ele chamou) que tinha hora, o local (sábado, às duas horas na Ceilândia) e a razão (a traição). Sem a razão, não haveria nem hora, nem local. Não haveria o duelo. E mais, a canção nos mostra o risco do desvio da razão. Tudo isso aconteceu porque João de Santo Cristo fez um monte de coisa, mas se esqueceu da principal razão que o levou a capital brasileira, que era falar pro presidente para ajudar a toda a gente sofrida (João não conseguiu o que queria quando veio pra Brasília com o diabo ter; ele queria era falar pro presidente pra ajudar toda essa gente que só faz sofrer).
As razões são o suporte das decisões. Muitas vezes elas estão nas entranhas da mente. É preciso trazê-las para a conciência, para que possa saber o seu papel. É preciso entender e tentar claerar as razões de decisões de seus clientes para que possa mostrar-lhes a importância, a relevância e que é momento certo de realizar o seu trabalho. Ele precisa identificar e decidir pelo local de fazer o tratamento e a hora de fazê-lo, mas, só vai tratar se souber de suas próprias razões. Assim como em Faroeste Caboclo, sem a quinta dimensão, ou seja, sem a razão, não há tratamento.

 

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Sobre o Autor:

Claudinet Antonio Coltri Junior é palestrante consultor organizacional nas áreas de marketing, estratégia e pessoas; coordenador dos cursos de Gestão de Consultório e Formação em ASB (ABO/MT); coordenador de área dos Cursos de Gestão do UNIVAG.

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