Pesquisa do Governo mostra difícil realidade da saúde bucal do brasileiro
Ao final de
2004 o Ministério da Saúde divulgou os resultados de uma pesquisa nacional
onde foram identificados os níveis de saúde bucal da população brasileira.
Não foi com surpresa que o volume de portadores de doenças gengivais
(gengivite e periodontite) se mostrou acima da média da grande maioria dos
países subdesenvolvidos.
Os
índices da doença – cerca de 80% da população - só não foram piores porque
em muitos casos os dentes já haviam sido perdidos/extraídos. O problema se
mostrou ainda mais grave na população acima dos 65 anos, na qual cerca de
três em cada quatro pessoas não possuíam mais os dentes.
A pesquisa revelou ainda que a população
brasileira não tem o hábito de visitar o dentista como método de prevenção
ou manutenção da saúde bucal, mas apenas quando motivado por dor. Entre os
adultos, cerca de 46% só foram ao dentista por esse motivo e entre os
adolescentes, cerca de 2,5 milhões nunca sentaram na cadeira de um dentista.
Embora a situação financeira seja um fator
importante para os resultados apresentados, o fator cultural também imprime
seu percentual de relevância, visto que mesmo em regiões mais desenvolvidas
dentro do cenário nacional, os índices se mostram tão ou mais elevados do
que em regiões mais carentes.
A falta de cultura que faz com que a
população não coloque a sua saúde bucal como prioridade – especialmente
diante das dificuldades financeiras – também faz com que essa mesma
população seja a principal vítima dos efeitos em cascatas que as doenças
bucais podem gerar em seu organismo, acarretando ainda mais dificuldades
financeiras.
Gengivite – inimiga oculta e muito perigosa
Vermelhidão, inchaço na gengiva,
sangramento fácil durante o uso do fio dental e escovação podem ser sinal de
doença periodontal. A doença geralmente não apresenta dor, sendo este um
motivo de adiamento do paciente em procurar um especialista. E é aí que mora
o perigo: esta doença oculta é uma das principais responsáveis pela queda
dos dentes, atrás apenas da cárie. Por isso, as pessoas que apresentam
quaisquer desses sinais devem procurar uma orientação profissional o quanto
antes.
A explicação
é simples: cerca de 20 minutos após a alimentação forma-se uma película
sobre os dentes, onde os alimentos se fixam e bactérias aos poucos formam a
placa bacteriana. Se não for removida (pela boa higienização bucal), pode
originar uma inflamação (gengivite) ou se calcificar aos poucos formando o
tártaro (crosta amarela na base dos dentes), somente removido por um
profissional. Com o tempo a doença pode evoluir para a periodontite que vai
afetar o tecido ósseo, os ligamentos e toda a estrutura que fixa o dente,
até que ele fique solto da gengiva e caia.
Embora esteja
especialmente relacionada a higienização, ao contrário do que se pensa a
gengivite não acomete somente pessoas de poder aquisitivo baixo. O problema
é a má qualidade da higiene bucal. É difícil uma pessoa deixar de escovar os
dentes por 24 horas (tempo suficiente para as bactérias começarem a agir),
mas é muito comum que algum ponto da boca permaneça sujo por tanto tempo.
A higienização total é trabalhosa, mas é a
melhor arma contra doenças periodontais. Daí a importância da realização de
um ciclo completo de limpeza, onde além da utilização da escovação e do fio
dental (métodos mecânicos), se faz necessário a utilização de um
anti-séptico bucal de qualidade comprovada na eliminação de bactérias
(método químico).
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