A auto-avaliação da saúde bucal é uma medida que
sintetiza a auto-percepção sobre a própria condição da saúde bucal, a
sua funcionalidade e os valores sociais e culturais relacionados à ela.
Essa avaliação reflete a qualidade de vida da população e está associada
às condições de saúde geral, assim como aos cuidados tomados por cada
pessoa. Nesse sentido, Divane Matos e Maria Fernanda Lima-Costa, ambas
da Universidade Federal de Minas Gerais examinaram os fatores associados
à auto-avaliação da saúde bucal entre adultos e idosos residentes na
Região Sudeste do Brasil.
As pesquisadoras utilizaram a base de dados do
Projeto SB-Brasil: Condições de Saúde Bucal da População Brasileira.
Trata-se de um inquérito realizado pelo Ministério da Saúde/Coordenação
Nacional de Saúde Bucal, em parceria com as Secretarias Estaduais e
Municipais de Saúde nos anos de 2002 e 2003. De acordo com artigo
publicado na edição de agosto de 2006 dos Cadernos de Saúde Pública,
“para o trabalho foram selecionados todos os 3.240 participantes do
Projeto SB-Brasil residentes na Região Sudeste (zona urbana e zona
rural), com idades entre 35-44 anos e 65-74 anos. As entrevistas e
exames clínicos foram realizados nos domicílios selecionados.”
Os resultados mostram quem em ambos os grupos etários
predominou a auto-avaliação da saúde bucal como boa e regular. Somente
8,1% dos adultos e 4,8% dos idosos avaliaram a saúde bucal como péssima.
Entre os adultos, 11% não possuíam dentes naturais, sendo essa proporção
igual a 65,5% entre os idosos. O uso de prótese total superior e/ou
inferior foi igual a 22% e 66%, respectivamente. Entre os adultos, 43%
haviam visitado o dentista há menos de um ano, ao passo que somente 19%
dos idosos haviam visitado o dentista nesse período.
As autoras do estudo constataram que a renda
domiciliar per capita maior ou igual a R$ 181,00 e a percepção de não
necessidade atual de tratamento odontológico estavam associadas à melhor
auto-avaliação da saúde bucal. Já a presença de 1 a 19 dentes e o fato
de ficar três ou mais anos sem ir ao dentista estiveram relacionados a
uma pior auto-avaliação. Além disso, a auto-avaliação da saúde bucal
como boa e ótima foi maior entre os idosos do que entre os adultos. Eles
explicam que “os idosos aceitam a perda de dentes mais facilmente, por
considerarem que essas perdas são resultantes de um processo natural do
envelhecimento. Além disso, alguns idosos, devido a repetidos problemas
com seus dentes naturais, consideram haver uma real melhora da saúde
bucal com a substituição dos mesmos por próteses parciais ou totais”.
Dessa forma, segundo a equipe, pode-se concluir que a auto-avaliação da
saúde bucal em adultos e idosos é explicada por variáveis de
predisposição, facilitação, além da necessidade de tratamento e
comportamento.
Fonte: GuiaOdonto