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Periodontite pode agravar doenças coronarianas, diabetes e
participar da indução ao parto pré-maturo
Diversas pesquisas realizadas pelo Núcleo de Pesquisa em
Periodontia Médica da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (UERJ), em parceria com o Instituto Karolinska
(Suécia), tem demonstrado que a periodontite pode agravar o
estado de saúde de pacientes coronarianos, hipertensos e
diabéticos, além de ter uma importante participação na
indução ao parto pré-maturo. Quem chama atenção para os
resultados são os coordenadores desses estudos, os
periodontistas Carlos Marcelo Figueredo e Ricardo Guimarães
Fischer. Ambos PhDs em Periodontia, Marcelo Figueredo e
Ricardo Fischer ressaltam que a doença periodontal severa (DP)
já atinge cerca de 20% da população brasileira com mais de 40
anos.
Estudos realizados pelo grupo demonstraram que as
substâncias pró-inflamatórias produzidas na DP podem invadir
a corrente sanguínea e alterar o comportamento das células
inflamatórias periféricas, como os neutrófilos,
potencializando reações inflamatórias em diferentes áreas do
corpo, prejudicando a saúde geral do paciente 1,2
. Na opinião dos coordenadores do estudo, o descaso com que
um sangramento gengival é encarado é motivo de preocupação.
“Geralmente, as pessoas acham que a gengiva sangra de forma
espontânea, o que não é verdade. A gengiva é tão vedada
quanto a pele. O sangramento ocorre em função da presença de
micro-ulcerações causadas por uma reação inflamatória no
local”, explica o periodontista Carlos Marcelo Figueredo. Ele
chama atenção ainda para o fato do programa de saúde bucal
brasileiro ser limitado ao controle da cárie e a extração
dentária, deixando que a periodondite se manifeste
silenciosamente.
Risco
aos cardíacos
Cardiologistas devem estar atentos à relação entre
DP e infarto agudo do miocárdio, pois as bactérias e toxinas
existentes na boca de portadores de DP podem contaminar e
desestabilizar a placa aterosclerótica, aumentando o risco de
trombose e isquemia. Um estudo realizado com 70 pacientes
hipertensos, com idade média de 53 anos, no Instituto
Nacional de Cardiologia das Laranjeiras (RJ), comprovou que
houve maior prevalência de periodontite severa em pacientes
hipertensos3. O tratamento periodontal diminuiu os
níveis da proteína C-reativa, o que reduz o risco
cardiovascular global desses pacientes.
Doença
renal também requer cuidados
Nefrologistas também devem ficar atentos, pois
pesquisas recentes indicaram que doentes renais crônicos com
periodontite tinham níveis mais elevados de Proteína
C-reativa4. Isso pode representar um risco
adicional para piora do quadro renal.
Periodontite e parto pré-maturo
Evidências científicas mostraram que mediadores
inflamatórios que ocorrem em doenças periodontais, também
possuem importante participação no trabalho de parto. No
Hospital Carmela Dutra (RJ), um estudo com 150 mães verificou
que grávidas com periodontite tinham um fator de risco
adicional de 2.34 para o nascimento de crianças prematuras e
de baixo-peso5. Para se ter uma idéia da gravidade
do fato, a infecção genito-urinária, considerada pelos
obstetras como fator de risco para prematuridade e
baixo-peso, apresentou um fator de risco adicional de 2.36.
A
relação com a diabetes
Existe uma estreita relação entre a diabetes
mellitus e a periodontite. Pacientes diabéticos mal
controlados apresentam cerca de três vezes mais chances de
desenvolverem periodontite, se comparados a diabéticos
controlados.
Já é
comprovado que o diabetes mellitus piora as condições de
suporte dentário, aumentando a chance de sangramentos
gengivais, mobilidade e perdas de dentes. Um novo estudo para
avaliar a capacidade da periodontite em piorar o controle
metabólico do paciente, dificultando o controle da glicose no
sangue, está sendo alvo de investigações desenvolvidas entre
a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a
Universidade do Estado de São Paulo (UNESP) e o Instituto
Karolinska, na Suécia. Os primeiros resultados clínicos
apontam para uma estreita relação entre a degradação do
suporte dentário e o pobre controle glicêmico. Os resultados
mostraram que as piores condições periodontais foram
encontradas em pacientes com os piores valores relacionados
ao controle metabólico, sustentando a hipótese de que existe
uma associação positiva entre um controle glicêmico pobre e a
severidade da periodontite.
Os coordenadores do Núcleo de Periodontia Médica da
UERJ pretendem divulgar os resultados dos estudos para que
médicos e periodontistas entendam definitivamente que os
caminhos moleculares de doenças crônico-inflamatórias se
cruzam em diversas etapas da inflamação. “A periodontite é
uma importante doença crônico-inflamatória que pode
interferir nocivamente em outras doenças crônicas”, alerta o
Dr. Carlos Marcelo Figueredo.
Sugestão de referências:
1. Fredriksson MI, Figueredo CM, Gustafsson A, Bergstrom KG,
Asman BE.Effect of periodontitis and smoking on blood
leukocytes and acute-phase proteins.
J Periodontol. 1999 Nov;70(11):1355-60.
2. Figueredo CM, Fischer RG, Gustafsson
A.Aberrant
neutrophil reactions in periodontitis.
J
Periodontol. 2005 Jun;76(6):951-5.
3.
Marques FV. Associação entre doença periodontal e hipertenção
primária refratária. Tese de Mestrado UERJ. Orient. Fischer
RG. 2006
4.
Silveira RM. Aspectos Periodontais em pacientes renais
crônicos do Hospital Universitário Pedro Hernesto. Tese de
Mestrado UERJ. Orient. Fischer RG &
5.
Moliterno LF, Monteiro B, Figueredo CM, Fischer RG.
Association between periodontitis and low birth weight: a
case-control study.
J Clin Periodontol. 2005 Aug;32(8):886-90.
Carlos Marcelo da Silva Figueredo,
DDS, MDSc, PhD
Pós-doutor em Periodontia - Instituto
Karolinska, Estocolmo, Suécia
PhD em Periodontia e Química Clínica pelo Instituto
Karolinska, Estocolmo, Suécia
Mestre em Periodontia - UERJ
Professor Adjunto de Periodontia - UERJ
Professor Adjunto de Periodontia - UNIGRANRIO
Coordenador do curso de especialização em Periodontia da
PUC-RJ
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