A constante presença na
mídia acerca deste tema tem despertado a curiosidade e o
interesse da população sobre o tema. Tal interesse já se
manifesta nas dúvidas que freqüentemente os pacientes nos
trazem ao consultório. Vamos esclarecer alguns pontos:
1) A discussão hoje se dá
em torno da liberação ou não de pesquisas com células tronco
de origem embrionária. Existe uma classificação de células
tronco quanto a sua origem. Células tronco adultas, obtidas
de tecidos humanos como a polpa dentária, cordão umbilical,
entre outros. Este tipo de célula já vem sendo usada em
pesquisas e tratamentos com resultados animadores. Outro tipo
de célula tronco são as de origem embrionária, estas sim
estão em discussão sobre aspectos éticos, morais e
religiosos. São obtidas através de embriões não viáveis (que
seriam descartados) mas por sua vez apresentam uma
capacidade de se diferenciar em outras células e tecidos de
uma maneira mais versátil que as células tronco adultas.
2) As pesquisas envolvendo
células tronco têm apontado a possibilidade de regeneração
parcial e em alguns casos total de lesões como no músculo
cardíaco, tecidos do sistema nervoso e estrutura óssea.
3) Na odontologia a
utilização de terapias envolvendo células tronco parecem
apontar na direção dos tratamentos que envolvem perda óssea,
como na periodontia, lesões ósseas causadas por
inflamações/infecções e lesões traumáticas.
4) Quanto a reprodução
total do órgão dentário, o que seria a tão desejada terceira
dentição, parece ainda um pouco distante devido algumas
particularidades como a atrofia óssea que sucede a extração
dentária, a necessidade de formação das estruturas que
sustentam o dente (ligamentos que unem o dente ao osso e
ligamentos que unem o dente a gengiva), formação do feixe
vásculo-nervoso (vasos e nervos) que nutrem e conferem
sensibilidade ao dente, bem como aspectos anatômicos ( o
formato do dente, canino, incisivo, molar) e de coloração e
as relações que deste futuro órgão dentário com dentes
adjacentes (vizinhos) e dentes da arcada oponente.
Em breve deveremos estar
dando os primeiros passos na utilização de células tronco nos
consultórios odontológicos e, se nossas autoridades, em
especial nossos juízes, autorizarem a utilização de células
tronco embrionárias, seguramente o caminho para a tão
desejada terceira dentição será bem mais curto. Este é o
desejo da comunidade científica e seguramente das milhares de
pessoas que podem ser beneficiadas nas mais variadas
terapias.