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Cerca de 60% da população mundial sofre de algum tipo de disfunção nas
articulações temporomandibulares
Já
ouviu falar em DTM? Pode até parecer um código estranho, mas essas três
letras escondem um mal-estar que envolve articulações, mandíbula, dentes e
até mesmo a musculatura da face e cabeça. Segundo a Organização Mundial da
Saúde, 60% da população mundial sofre de algum tipo de disfunção nas
articulações temporomandibulares.
DTM significa disfunção
temporomandibular, ou seja, problema nas articulações temporomandibulares
(ATMs), aquelas duas articulações localizadas à frente dos ouvidos e que
conectam a mandíbula ao crânio
Segundo o
cirurgião-dentista Márcio Melara, a doença está associada a múltiplos
fatores, como, por exemplo, a má oclusão dentária (mordida incorreta),
dentes tortos, bruxismo (ranger e apertar os dentes enquanto dorme) e
hábitos mastigatórios (uso freqüente de chicletes, roer unhas, entre
outros). “Os sintomas também são variados e vão de dores de cabeça e na
face até dificuldades na mastigação, podendo apresentar zumbidos no
ouvido. Além disso, podem ocorrer desvios que limitam ou desorganizam os
movimentos da mandíbula”, explica Melara.
A
disfunção nas ATMs pode ser descoberta em um exame odontológico de rotina.
“Como as causas são multifatoriais, o tratamento também é diversificado.
Desde técnicas odontológicas tradicionais (inclusive com relaxamento da
mandíbula por meio de placas relaxadoras dos músculos da mastigação) até
cirurgia nos casos mais complexos”, explica. Todo o tratamento deve ser
individual, de acordo com a necessidade de cada paciente e com a
característica da dor. O tratamento tem diversas possibilidades. Além da
odontologia, uma atuação multidisciplinar pode ser necessária, com
médicos, psicólogos e fisioterapeutas. Tratamentos intensos, como
infiltrações, medicação especifica, e até cirurgias podem ser necessários
nos casos mais severos.
Por ocorrer desde a
infância até a velhice, é difícil definir uma faixa etária mais suscetível
ao surgimento das disfunções. “Há um aumento dos sintomas entre os 20 e 30
anos de vida, para depois diminuírem. Alguns sub-grupos de DTM são mais
freqüentes em determinadas épocas, como, por exemplo os ruídos
articulares, que aparecem mais em pessoas jovens. Já as dores crônicas e
ligadas às doenças do sistema nervoso são mais comuns após os 40 anos de
idade”, finaliza o especialista.
BOX:
Segundo Márcio Melara, algumas atitudes ligadas à alimentação, relaxamento
e alongamento podem combater a dor e ajudar no tratamento da doença.
- Dê preferência a
alimentos moles, como sopa, iogurte, purês. Evite comer alimentos duros e
que precisam ser mastigados por muito tempo.
- Não masque chicletes
nem abra muito a boca. Evite bocejar, gritar e cantar.
- Use compressas
quentes sobre a área dolorida por 20 minutos. De 2 a 4 vezes por dia.
- Relaxe seus músculos
da mandíbula e tente não apertar seus dentes. Mantenha boa postura de
cabeça, pescoço e costas. Isso ajuda a relaxar os músculos da mandíbula.
- Evite cafeína, pois
ela pode aumentar a tensão nos músculos. Diminua a quantidade de café,
chá, refrigerante e chocolate.
- Tenha um sono
necessário para descansar. Evite dormir “de bruços” ou em outras posições
que atinjam os músculos da mandíbula e do pescoço.
- Realize exercícios de
alongamento dos músculos do pescoço durante o banho em água morna.
- Pratique exercícios
aeróbicos. Caminhadas e hidroginástica são excelentes meios de ajudar a
combater a sua dor, alem de proporcionar bem-estar.
Sobre
o autor:O
cirurgião-dentista Marcio Melara é pós-graduado em dor e disfunções
das ATMs, especialista em implantes e próteses sobre implantes. É membro
da Sociedade Brasileira de Periodontia e da American Academy of
Periodontology.
Fonte:IEME
Comunicação |