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Noticias da Odontologia

30/06/2008

Dores, dificuldades na mastigação e respiração causados pelas DTMs

Marcio Melara*

Cerca de 60% da população mundial sofre de algum tipo de disfunção nas articulações temporomandibulares

 Já ouviu falar em DTM? Pode até parecer um código estranho, mas essas três letras escondem um mal-estar que envolve articulações, mandíbula, dentes e até mesmo a musculatura da face e cabeça. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 60% da população mundial sofre de algum tipo de disfunção nas articulações temporomandibulares.

DTM significa disfunção temporomandibular, ou seja, problema nas articulações temporomandibulares (ATMs), aquelas duas articulações localizadas à frente dos ouvidos e que conectam a mandíbula ao crânio

Segundo o cirurgião-dentista Márcio Melara, a doença está associada a múltiplos fatores, como, por exemplo, a má oclusão dentária (mordida incorreta), dentes tortos, bruxismo (ranger e apertar os dentes enquanto dorme) e hábitos mastigatórios (uso freqüente de chicletes, roer unhas, entre outros). “Os sintomas também são variados e vão de dores de cabeça e na face até dificuldades na mastigação, podendo apresentar zumbidos no ouvido. Além disso, podem ocorrer desvios que limitam ou desorganizam os movimentos da mandíbula”, explica Melara.

A disfunção nas ATMs pode ser descoberta em um exame odontológico de rotina. “Como as causas são multifatoriais, o tratamento também é diversificado. Desde técnicas odontológicas tradicionais (inclusive com relaxamento da mandíbula por meio de placas relaxadoras dos músculos da mastigação) até cirurgia nos casos mais complexos”, explica. Todo o tratamento deve ser individual, de acordo com a necessidade de cada paciente e com a característica da dor. O tratamento tem diversas possibilidades. Além da odontologia, uma atuação multidisciplinar pode ser necessária, com médicos, psicólogos e fisioterapeutas. Tratamentos intensos, como infiltrações, medicação especifica, e até cirurgias podem ser necessários nos casos mais severos.

 

 

Por ocorrer desde a infância até a velhice, é difícil definir uma faixa etária mais suscetível ao surgimento das disfunções. “Há um aumento dos sintomas entre os 20 e 30 anos de vida, para depois diminuírem. Alguns sub-grupos de DTM são mais freqüentes em determinadas épocas, como, por exemplo os ruídos articulares, que aparecem mais em pessoas jovens. Já as dores crônicas e ligadas às doenças do sistema nervoso são mais comuns após os 40 anos de idade”, finaliza o especialista.

 

BOX:

 

Segundo Márcio Melara, algumas atitudes ligadas à alimentação, relaxamento e alongamento podem combater a dor e ajudar no tratamento da doença.

 

-  Dê preferência a alimentos moles, como sopa, iogurte, purês. Evite comer alimentos duros e que precisam ser mastigados por muito tempo.

-  Não masque chicletes nem abra muito a boca. Evite bocejar, gritar e cantar. 

-  Use compressas quentes sobre a área dolorida por 20 minutos. De 2 a 4 vezes por dia.

-  Relaxe seus músculos da mandíbula e tente não apertar seus dentes. Mantenha boa postura de cabeça, pescoço e costas. Isso ajuda a relaxar os músculos da mandíbula.

-  Evite cafeína, pois ela pode aumentar a tensão nos músculos. Diminua a quantidade de café, chá, refrigerante e chocolate.

-  Tenha um sono necessário para descansar. Evite dormir “de bruços” ou em outras posições que atinjam os músculos da mandíbula e do pescoço.

-  Realize exercícios de alongamento dos músculos do pescoço durante o  banho em água morna.

-  Pratique exercícios aeróbicos. Caminhadas e hidroginástica são excelentes meios de ajudar a combater a sua dor, alem de proporcionar bem-estar.

 

 Sobre o autor:O cirurgião-dentista Marcio Melara é pós-graduado em dor e disfunções das ATMs, especialista em implantes e próteses sobre implantes. É membro da Sociedade Brasileira de Periodontia e da American Academy of Periodontology.

Fonte:IEME Comunicação

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