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Dentista
é a solução Dor de cabeça intensa e dificuldade para mastigar podem
ser sintomas de uma disfunção na mandíbula
Tudo começou com uma dor de cabeça, se espalhou pelo pescoço e, em pouco
tempo, a dor que a secretária Mirian de Cássia da Silva Braghin, 39 anos,
sentia era tão forte que ela já não conseguia mais beijar na boca e andava
com dificuldade. Depois de perambular durante 20 anos por clínicos gerais,
otorrinos e até neurologistas, somar duas internações e passar por
tomografia e tratamentos desnecessários, com antidepressivos e até
morfina, ela descobriu que o alívio para seu problema estava no dentista.
Mirian sofre de disfunção temporomandibular (DTM), problema crônico que
acomete a articulação e os músculos responsáveis pelos movimentos da boca.
Pouco conhecido, o distúrbio é comum. Estudos apontam que 33% das dores de
cabeça têm alguma relação com a DTM.
Outro sintoma característico é dor nas articulações da face. Dos pacientes
que procuram o Serviço de Oclusão e Disfunção da Articulação
Temporomandibular da Faculdade de Odontologia (FORP) da USP de Ribeirão
Preto, 50% trazem essa queixa. Ruído na articulação (35%), dor nos
músculos da face (35%) e dor de ouvido (25%) também são reclamações
freqüentes.
"Esses pacientes acabam tendo limitações funcionais, como cansaço
muscular, dificuldade para abrir e fechar a boca, para mastigar, falar e
também deglutir", afirmou o cirurgião dentista Marco Antonio Rodrigues da
Silva, professor do Departamento de Odontologia Restauradora da FORP, que
pesquisa em parceria com a Universidade de Milão, na Itália.
"Estresse, atividades repetitivas, apertar ou ranger os dentes, roer
unhas, morder objetos, lábios, bochechas ou mascar chicletes podem levar
ao desequilíbrio do sistema craniomandibular", explicou o professor.
Como o tratamento multidisciplinar da disfunção ainda é pouco disseminado,
os sintomas acabam sendo confundidos com sinais de outros quadros, como
fibromialgia.
"O paciente fica muito descrente. Peregrina por muitos médicos antes de
conseguir o diagnóstico. Quando procura o dentista, chega desconfiado, um
pouco agressivo", contou Narcisa Zeferino da Silva Pavan, responsável pelo
Departamento de DTM e de Dor Orofacial da residência médica em
otorrinolaringologia da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp).
Após 15 anos de pesquisa sobre DTM, ela concluiu que há um perfil
psicológico em comum entre as pessoas que desenvolvem a disfunção. "São
pacientes muito exigentes, ansiosos e perfeccionistas." O tratamento
tradicional consiste no uso de placa de acrílico e também pode ser
associado a aplicações de laser para aliviar a dor. Em alguns casos, deve
incluir sessões de fisioterapia, fonoaudiologia e até intervenção
psicológica, para tratar a ansiedade.
Vinte anos sem explicação
Depois de iniciar o tratamento da disfunção temporomandibular (DTM) com
placa de acrílico e fisioterapia, há três anos, a secretária Mirian
Braghin viu sua vida voltar ao normal, gradualmente. Por pelo menos 20
anos, ela sentiu dores de cabeça quase diariamente, a ponto de não
conseguir dormir. Seus médicos, porém, não desconfiavam de que a causa
poderia estar na mandíbula. "Tomei antidepressivo durante dois anos. Com o
tempo, meu corpo ficou duro, fui atrofiando. Não cruzava mais as pernas",
contou. Depois de uma maratona de exames no otorrino, ela foi orientada a
procurar o dentista. De lá para cá, recuperou os movimentos perdidos.
Daquela época de sofrimento, a única seqüela que restou foi a dificuldade
em enxergar com o olho direito. "Meu nervo atrofiou igual ao resto do
corpo. Faço fisioterapia." O tratamento levou Mirian a mudar alguns
hábitos: aboliu o travesseiro e o chiclete, usa placa de acrílico para
dormir e faz exercícios para a face todos os dias.
Fonte:
Gazeta de Ribeirão
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