Odontologia serve para
recuperar dedos da mão
EM Ribeirão Preto O procedimento para o
implante é baseado na odontologia
O mesmo procedimento realizado para
implantes dentais, no sistema da osseointegração, acaba de
ser adotado com sucesso para a recuperação de dedos da mão de
dois pacientes, em operações – inéditas no Brasil -
realizadas na Escola de Aperfeiçoamento Profissional da
Associação Odontológica de Ribeirão Preto (AORP).
“É a Odontologia retribuindo à Medicina o benefício que dela
recebeu”, diz o professor Paulo Abdalla Saad, titular da Unip
de Campinas e coordenador de cursos na área de implantodontia
da AORP, com equipe integrada por outros profissionais da
área da saúde.
Saad explica: em 1965, um professor de Medicina, o sueco
P.I.
Branemark, socorrendo um paciente desdentado, utilizou o osso
da boca para a fixação de dentes, no processo chamado de
osseointegração. Trata-se da adaptação de um parafuso dentro
do osso bucal para substituir a raiz perdida e, dentro do
parafuso, é colocado o dente artificial.
Dessa forma, há 40 anos Branemark deu o primeiro passo para
uma prática que se tornaria usual na Odontologia mundial. No
Brasil, a técnica passou a ser adotada há pouco mais de 10
anos. A prática evoluiu e se chegou aos melhores
procedimentos com o uso de pinos de titânio para a realização
dos implantes dentais.
Há pouco mais de um ano, ultrapassando os limites da
Odontologia, a técnica de ancoragem para implantes
osseointegrados extra-orais permitiu à equipe da AORP a
recuperação de órgãos da face – olhos, nariz e orelhas – de
pacientes vitimados por doença ou acidente. Houve a
reconstrução dos órgãos, com sua fixação no osso da face por
meio de pinos de titânio.
Nestas operações, há participação também de médicos e
fonoaudiólogos, cabendo ao dentista, especialista em
implantodontia, dimensionar diâmetro, forma e comprimento dos
materiais de implante.
Agora, mais um avanço, com o implante permitindo restabelecer
a parte perdida dos dedos. Iniciado em hospital de Porto
Ferreira, onde Paulo Saad reside e residem também os dois
pacientes submetidos à operação, e com o apoio da Faculdade
Paulista de Medicina (Unifesp), de São Paulo, e da
Universidade de Gotemburgo, na Suécia, o procedimento foi
concluído na AORP, atendendo a um jovem com dois dedos
parcialmente mutilados por uso de fogo de artifício, e uma
senhora, com os dedos afetados por acidente em máquina de
cortar frios.
Estas operações de implante com o uso de pino de titânio não
restituiram a articulação dos dedos afetados, da mesma forma
como, antes, não recuperou o sentido da visão do homem que
perdeu o olho. Mas, preenchendo o espaço vazio, permitiu aos
pacientes, como eles próprios manifestaram, a recuperação da
auto-estima e da própria qualidade de vida. |