De acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Cacau,
Chocolates, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), o
brasileiro consome 2,12 kg de chocolate por ano, número que
dobra na semana que antecede a Páscoa. O hábito, se não
acompanhado de higienização oral, aumenta o risco de cárie,
transformando o prazer de comer chocolate em doença e
sofrimento.
Para manter a saúde bucal mesmo com a alta ingestão de
chocolates e guloseimas, é importante ouvir o que os
profissionais têm a dizer sobre o consumo inconseqüente de
doces. “O mais importante é não descuidar da limpeza da boca,
já que a placa bacteriana não leva mais do que 15 minutos
para começar a agir”, orienta Silvia Chedid, consultora
científica da ABO em Odontopediatria. Sendo assim, a
escovação precisa ser feita até 15 minutos depois de o
chocolate ser ingerido, especialmente antes de dormir, já que
o fluxo salivar, que ajuda na limpeza, diminui durante o
sono.
A escolha do chocolate também ajuda a saúde bucal. Os meio
amargos e ao leite têm menos açúcar e oferecem menos
“matéria-prima” para as bactérias da boca produzirem o ácido
que causa a cárie. “Chocolates sem recheio também podem ser
menos prejudiciais, pois grudam menos no dente e são mais
fáceis de serem removidos”, recomenda Silvia Chedid.
Aparelho ortodôntico
– A consultora lembra ainda que chocolates grudentos são um
problema especialmente para quem usa aparelho ortodôntico.
“Ao ser mastigado, o chocolate fica pastoso e mais fácil de
se impregnar na estrutura do aparelho, dando mais condições
para que as bactérias da boca metabolizem o açúcar”, explica.
Apesar dos
riscos que seu consumo exagerado acarreta à saúde bucal e a
qualquer dieta, a odontopediatra lembra que o chocolate
também proporciona benefícios ao organismo. “O cacau tem alto
poder oxidante, e, ao estimular a produção do
neurotransmissor feniletilamina, combate a insônia e dá
sensação de bem-estar. A tradição de comer chocolate durante
a Páscoa pode ser algo saudável, mas é importante não
descuidar”, alerta Silvia.