A remadora brasileira Caroline
Beloni, de 27 anos, participou da pesquisa da
Policlínica do Pan
Em competições internacionais, o
cuidado dos médicos é para evitar ao máximo lesões,
fraturas e torções nos atletas. Mas tem especialista
preocupado com a saúde bucal dos competidores do
Pan-americano, no Rio de Janeiro.
É o que acontece na policlínica instalada na Vila do Pan,
na Barra da Tijuca, Zona Oeste da cidade, onde está em
andamento uma pesquisa que pretende fazer um "raio-x" das
bocas dos esportistas.
“Queremos ter uma política de prevenção. A maioria dos
atletas viaja muito e não tem tempo de ir ao dentista”,
contou o diretor da policlínica Luis Fernando de Barros
Correia. Segundo ele, a importância no acompanhamento
bucal está no fato de que infecções na gengiva ou nos
dentes podem comprometer o desempenho no esporte.
“Por desencadear uma reação inflamatória, muitas
inflamações crônicas na boca podem afetar a performance
do atleta. É o mesmo que se ele tivesse uma ferida aberta
no braço”, comparou Correia, que é clínico geral e
intensivista. “A dificuldade é convencer os atletas a
parar para fazer os exames e preencher os formulários”,
disse ele.
Queremos uma política de
prevenção", diz Luis Fernando Correia, diretor da
Policlínica.
"
O tratamento é aberto a todos os
competidores do Pan, que são submetidos a um raio-x
panorâmico da boca e a uma consulta clínica. As
informações são cruzadas para que se tenha um diagnóstico
preciso e os pacientes levam os dados em um CD para que
mostrem aos dentistas de seus países, se for o caso de
iniciar um tratamento.
Correia afirmou que a pesquisa é inédita em
Pan-americanos e teve início nas últimas Olimpíadas. Quem
está à frente dela é o dentista Eduardo Tinoco, da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que teve
o apoio da equipe médica da Organização Desportiva
Pan-Americana (ODEPA).
A atleta Caroline Beloni, de 27 anos, do remo brasileiro,
não perdeu tempo. Quebrou parte do dente da frente
durante um treino e procurou a policlínica. Acabou
participando da pesquisa, que já reuniu cerca de cem
pessoas.
“Achei ótimo o atendimento. Foi muito rápido. Não dá
tempo de a gente ir ao dentista”, contou a remadora, que
não consegue espaço na agenda para arrancar os quatro
dentes sisos.
Primeiro
mundo
Ocupando um espaço de 500 metros
quadrados na Vila do Pan, a Policlínica montada para a
competição realiza, em média, 70 atendimentos por dia. “O
trauma é o nosso dia-a-dia. São entorses e contusões.
Estamos dentro do esperado”, afirmou Correia.
À disposição dos atletas, estão cinco consultórios com
dermatologistas, otorrinos, clínicos gerais,
ginecologistas e ortopedistas. O setor de emergência tem
cinco leitos, um deles equipado com respirador artificial
(ainda não foi usado). Há ainda uma farmácia e um
laboratório para análises clínicas.
Correia ressaltou ainda a presença dos especialistas em
massoterapia que atendem os atletas. “Todos têm
deficiências visuais. São excelentes, os melhores. Talvez
por desenvolverem o tato”.