A imprensa divulgou com grande
destaque o caso em que uma anestesia aplicada para a
extração de um dente pode ter sido a responsável por
levar uma menina de apenas três anos ao coma no dia 15
de dezembro. Era a terceira consulta da criança na
clínica no Centro de São Bernardo, em três meses. A
menina recebeu aplicação de sedação consciente nas duas
primeiras consultas e, na terceira, teria recebido um
tubete e meio de Lidostesim, como anestésico local,
para a retirada de um dente. Como medida de interesse
sanitário, em 24 de novembro, o Lidostesim e a
Lidostesina tiveram a suspensão da distribuição,
comércio e uso, decretado pela ANVISA — a clínica alega
não ter sido comunicada do fato.
"Todos lamentamos o gravíssimo
acontecimento com a paciente, e esperamos que as causas
sejam devidamente esclarecidas", declarou o presidente
da ABCD, Luciano Artioli Moreira. "Em situações assim,
algumas pessoas, por vezes, se manifestam de maneira
precipitada, sem a devida análise da situação e
propagam inverdades ou opiniões tendenciosas sem
ligação com a realidade dos fatos."
Para o presidente da ABCD, isso foi
o que ocorreu na manifestação feita por um dirigente do
CREMESP, na publicação do Diário do Grande ABC do dia
18 de dezembro. De acordo com a matéria publicada no
jornal do ABC, a aplicação da sedação consciente em
consultórios odontológicos está suspensa pela Anvisa
(Agência Nacional de Vigilância Sanitária) desde
fevereiro; segundo o anestesiologista, "é temerário que
se faça esse tipo de procedimento em um consultório. O
adequado é fazer em hospitais, onde há estrutura para
emergência."
Luciano Artioli Moreira declara que
"infelizmente, não é a primeira vez que um médico
anestesiologista se manifesta de maneira mal-informada
com respeito ao uso do Óxido Nitroso por
Cirurgiões-Dentistas". De acordo com ele, o uso do
óxido nitroso por Cirurgiões- Dentistas não está
proibido e os profissionais da Odontologia, cumprindo o
disposto pelo CFO, têm a competência e o direito legal
de utilizar a técnica. "É importante que as pessoas não
confundam a sedação consciente por óxido nitroso com a
anestesia local."
O presidente da Abasco, João Roberto
Ferreira da Rosa, destaca que a sedação consciente com
a mistura de óxido nitroso e oxigênio é uma técnica com
altíssimo grau de segurança, com milhões de sedações
odontológicas nos EUA, Europa, Ásia e demais países do
mundo. "Não existe na literatura científica mundial
qualquer alusão à possibilidade dessa técnica causar
convulsão. O fato é que, segundo a literatura
científica e a legislação vigente, conforme parecer do
CFO-PROJUR 133/2006, endereçado à Abasco, os
Cirurgiões-Dentistas que estiverem habilitados para uso
da técnica segundo as normas do Conselho estarão
devidamente autorizados para o uso da sedação
consciente. Sendo assim, não podem ser vítimas de
comentários irresponsáveis proferidos por pessoas
mal-informadas ou mal-intencionadas."
Além disso, o CFO destaca no mesmo
parecer que "qualquer interferência ao exercício do
óxido nitroso em analgesia relativa ou sedação
consciente por Cirurgião-Dentista devidamente
habilitado revela grave atentado ao direito desse
profissional de Odontologia sujeita a providências
legais".
O presidente da Abasco afirma ainda
que a Odontologia está "cansada dessas manifestações
oportunistas que visam a desestabilizar o uso do óxido
nitroso em Odontologia e que providências deverão ser
tomadas". O presidente da ABCD lamenta que alguns
poucos profissionais Médicos utilizem a mídia de forma
irresponsável com relação à técnica de competência
legal da Odontologia e adianta que a ABCD irá procurar
os organismos responsáveis da Medicina, como já fez
anteriormente, para reiterar a necessidade de que haja
respeito e responsabilidade por parte de seus
profissionais quando estes forem comentar,
especialmente na mídia leiga, assuntos de competência
da Odontologia.
Flávia Travaglini
Garota anestesiada tem morte
cerebral
A menina M.C.S.S., três anos, entrou
em coma cerebral terça-feira. A menor sofreu convulsões
e parada cardiorrespiratória após ter reação às doses
de anestesia durante extração de um dente, na
sexta-feira à tarde.
A dentista responsável pelo
atendimento, realizado em uma clínica no Centro de São
Bernardo, D.M., disse que o ocorrido foi uma
fatalidade. Ela garante que o procedimento adotado
ocorreu dentro dos parâmetros médicos. Segundo ela, a
menina chegou ao hospital três minutos após o início
das convulsões.
A dentista afirma que a criança saiu
da clínica respirando e que a parada
cardiorrespiratória só ocorreu quando ela já estava
dentro do Pronto-Socorro. "Quando começaram as
convulsões, coloquei-a em decúbito dorsal (deitada de
bruços) para que não engasgasse, e usei o respirador
para que ela tivesse oxigenação. Então liguei para o
resgate."
A dentista diz não ter usado a
técnica de sedação consciente na paciente, apesar de
ter especialização no uso do gás anestésico. A família
contradiz as declarações da dentista. "O gás realmente
não é muito eficiente com crianças, que respiram pela
boca e diminuem o efeito do anestésico. Por isso, no
dia 15, quando houve a convulsão, apliquei uma ampola
de anestésico antes da extração", disse a dentista.
Por ter usado o mesmo aparelho para
anestesiar a menina em outra consulta, a
Cirurgiã-Dentista acredita que a família possa ter
achado que ela usou o anestésico novamente.
A Dentsply informa ainda que novos
testes devem ser realizados nesta semana e que está
providenciando as alterações documentais solicitadas
para que a resolução de interdição da Anvisa seja
suspensa. A empresa contesta administrativa e
judicialmente a determinação.