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Noticias da Odontologia

21/12/2006

Menina com três anos de idade é internada após extração dentária e tem morte cerebral
 

 

A imprensa divulgou com grande destaque o caso em que uma anestesia aplicada para a extração de um dente pode ter sido a responsável por levar uma menina de apenas três anos ao coma no dia 15 de dezembro. Era a terceira consulta da criança na clínica no Centro de São Bernardo, em três meses. A menina recebeu aplicação de sedação consciente nas duas primeiras consultas e, na terceira, teria recebido um tubete e meio de Lidostesim, como anestésico local, para a retirada de um dente. Como medida de interesse sanitário, em 24 de novembro, o Lidostesim e a Lidostesina tiveram a suspensão da distribuição, comércio e uso, decretado pela ANVISA — a clínica alega não ter sido comunicada do fato.

"Todos lamentamos o gravíssimo acontecimento com a paciente, e esperamos que as causas sejam devidamente esclarecidas", declarou o presidente da ABCD, Luciano Artioli Moreira. "Em situações assim, algumas pessoas, por vezes, se manifestam de maneira precipitada, sem a devida análise da situação e propagam inverdades ou opiniões tendenciosas sem ligação com a realidade dos fatos."

Para o presidente da ABCD, isso foi o que ocorreu na manifestação feita por um dirigente do CREMESP, na publicação do Diário do Grande ABC do dia 18 de dezembro. De acordo com a matéria publicada no jornal do ABC, a aplicação da sedação consciente em consultórios odontológicos está suspensa pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) desde fevereiro; segundo o anestesiologista, "é temerário que se faça esse tipo de procedimento em um consultório. O adequado é fazer em hospitais, onde há estrutura para emergência."

Luciano Artioli Moreira declara que "infelizmente, não é a primeira vez que um médico anestesiologista se manifesta de maneira mal-informada com respeito ao uso do Óxido Nitroso por Cirurgiões-Dentistas". De acordo com ele, o uso do óxido nitroso por Cirurgiões- Dentistas não está proibido e os profissionais da Odontologia, cumprindo o disposto pelo CFO, têm a competência e o direito legal de utilizar a técnica. "É importante que as pessoas não confundam a sedação consciente por óxido nitroso com a anestesia local."

O presidente da Abasco, João Roberto Ferreira da Rosa, destaca que a sedação consciente com a mistura de óxido nitroso e oxigênio é uma técnica com altíssimo grau de segurança, com milhões de sedações odontológicas nos EUA, Europa, Ásia e demais países do mundo. "Não existe na literatura científica mundial qualquer alusão à possibilidade dessa técnica causar convulsão. O fato é que, segundo a literatura científica e a legislação vigente, conforme parecer do CFO-PROJUR 133/2006, endereçado à Abasco, os Cirurgiões-Dentistas que estiverem habilitados para uso da técnica segundo as normas do Conselho estarão devidamente autorizados para o uso da sedação consciente. Sendo assim, não podem ser vítimas de comentários irresponsáveis proferidos por pessoas mal-informadas ou mal-intencionadas."

Além disso, o CFO destaca no mesmo parecer que "qualquer interferência ao exercício do óxido nitroso em analgesia relativa ou sedação consciente por Cirurgião-Dentista devidamente habilitado revela grave atentado ao direito desse profissional de Odontologia sujeita a providências legais".

O presidente da Abasco afirma ainda que a Odontologia está "cansada dessas manifestações oportunistas que visam a desestabilizar o uso do óxido nitroso em Odontologia e que providências deverão ser tomadas". O presidente da ABCD lamenta que alguns poucos profissionais Médicos utilizem a mídia de forma irresponsável com relação à técnica de competência legal da Odontologia e adianta que a ABCD irá procurar os organismos responsáveis da Medicina, como já fez anteriormente, para reiterar a necessidade de que haja respeito e responsabilidade por parte de seus profissionais quando estes forem comentar, especialmente na mídia leiga, assuntos de competência da Odontologia.

Flávia Travaglini

 

Garota anestesiada tem morte cerebral

A menina M.C.S.S., três anos, entrou em coma cerebral terça-feira. A menor sofreu convulsões e parada cardiorrespiratória após ter reação às doses de anestesia durante extração de um dente, na sexta-feira à tarde.

A dentista responsável pelo atendimento, realizado em uma clínica no Centro de São Bernardo, D.M., disse que o ocorrido foi uma fatalidade. Ela garante que o procedimento adotado ocorreu dentro dos parâmetros médicos. Segundo ela, a menina chegou ao hospital três minutos após o início das convulsões.

A dentista afirma que a criança saiu da clínica respirando e que a parada cardiorrespiratória só ocorreu quando ela já estava dentro do Pronto-Socorro. "Quando começaram as convulsões, coloquei-a em decúbito dorsal (deitada de bruços) para que não engasgasse, e usei o respirador para que ela tivesse oxigenação. Então liguei para o resgate."

A dentista diz não ter usado a técnica de sedação consciente na paciente, apesar de ter especialização no uso do gás anestésico. A família contradiz as declarações da dentista. "O gás realmente não é muito eficiente com crianças, que respiram pela boca e diminuem o efeito do anestésico. Por isso, no dia 15, quando houve a convulsão, apliquei uma ampola de anestésico antes da extração", disse a dentista.

Por ter usado o mesmo aparelho para anestesiar a menina em outra consulta, a Cirurgiã-Dentista acredita que a família possa ter achado que ela usou o anestésico novamente.

A Dentsply informa ainda que novos testes devem ser realizados nesta semana e que está providenciando as alterações documentais solicitadas para que a resolução de interdição da Anvisa seja suspensa. A empresa contesta administrativa e judicialmente a determinação.

 

fonte : site APCD

 

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