Projeto de Lei exige Exame
de Proficiência para Cirurgiões-Dentistas e Médicos.
O PL altera as leis números 3.268, de 1957,
e 4.324, de 1964, para dispor sobre o Exame de Proficiência
dos Médicos e dos Cirurgiões-Dentistas.
Tramita na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, em
decisão terminativa, o projeto de lei que estabelece um Exame
de Proficiência para Cirurgiões-Dentistas e Médicos. O
objetivo do PL é que esses profissionais comprovem nível de
conhecimento indispensável para o exercício da profissão.
De acordo com o PL 102/06, de autoria da senadora Serys
Slhessarenko (PT-MT), somente com a aprovação nesse exame os
recém-formados em Medicina e Odontologia poderão obter o
registro profissional junto aos respectivos Conselhos
Profissionais.
Segundo a autora do projeto, que tem como relator o senador
Augusto Botelho (PDT-RR), Serys Slhessarenko, a avaliação não
é o modelo ideal, pois o que deveria haver é uma formação
acadêmica melhor tanto para o Cirurgião-Dentista como para o
Médico. Para ela, essa avaliação "não deixa de ser um
instrumento bastante confiável, principalmente quando se
pretende que sejam habilitados apenas aqueles que demonstrem
condições mínimas para o desempenho profissional nas áreas da
Medicina e da Odontologia".
O PL altera as leis números 3.268, de 1957, e 4.324, de 1964,
para dispor sobre o Exame de Proficiência dos Médicos e dos
Cirurgiões-Dentistas. E decreta que para a obtenção do
registro profissional junto aos Conselhos Regionais de
Odontologia, os Cirurgiões-Dentistas devem ser aprovados em
prévio Exame de Proficiência, destinado a comprovar o nível
de conhecimento indispensável para o exercício da profissão
de Odontologia.
A senadora justifica que exames semelhantes a este são
aplicados nos Estados Unidos e no Canadá para Médicos
recém-formados.
No Canadá é exigido o registro no Canadian Medical Register,
para o exercício legal da profissão e, igualmente, a
realização de uma qualifying examination (QE), sob a
responsabilidade do Medical Council of Canada (MCC). A
aprovação no exame confere o título de Licentiate of the
Medical Council of Canada (LMCC), que é reconhecido pelas
doze autoridades licenciadoras do país e é um dos requisitos
para a prática da Medicina.
Ainda de acordo com a justificativa da senadora, na Espanha e
no Panamá, o Exame de Proficiência é usado como mecanismo de
titulação e seleção de Médicos para ingresso em programas de
pós-graduação. Já na Colômbia, México, Chile, Peru e
Argentina, os testes são feitos para controle de qualidade do
ensino oferecido em cada país.
No Reino Unido, a partir de abril deste ano, os Médicos
precisarão de licença para exercer suas atividades, não
bastando mais possuir apenas o registro no Conselho Médico
Geral (General Medical Council - GMC). Para mantê-la, deverão
demonstrar ao GMC que estão atualizados e aptos a trabalhar,
por meio da revalidação. Os profissionais registrados antes
de abril vão receber uma licença efetiva, a ser renovada
conforme calendário pré-estabelecido. A validade será de
cinco anos e, para obtê-la, terão que providenciar evidências
de sua atuação, que possam ser verificadas: atestados de
saúde e probidade, e comprovações de que concordam com os
valores e princípios da boa prática Médica.
O presidente do Conselho Federal de Odontologia, Miguel
Nobre, defendeu, no Senado, a rejeição do projeto de lei que
estabelece o Exame de Proficiência para que os novos
Cirurgiões-Dentistas possam exercer a profissão.
Miguel Nobre mostrou aos senadores a preocupação recolhida na
classe e aos Conselhos Regionais que preparam posições a
respeito do assunto para encaminhar ao Conselho Federal e que
serão repassadas depois aos congressistas.
Segundo o presidente do CFO, o relator da matéria, senador
Augusto Botelho (PDT-RR), um dos parlamentares visitados pela
direção do Conselho, afirmou que é contra o projeto e que não
irá tomar uma posição sem antes ouvir a categoria. Ele lembra
ainda que, constitucionalmente e pela lei de diretrizes e
bases da Educação a responsabilidade da criação, do controle
e da fiscalização dos cursos é do Ministério da Educação.
O presidente da Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas
— ABCD, Luciano Artioli Moreira, diz que a iniciativa ainda
gera polêmica na classe odontológica. Segundo ele, o projeto
de lei nasceu da preocupação de criar ou implantar mecanismos
que assegurem a qualidade da Odontologia e o bom nível de
formação profissional e coloca que a discussão surge, em
grande parte, pela inexistência de mecanismos que
efetivamente controlem a qualidade dos cursos de graduação,
bem como pela inexistência de ações que punam exemplarmente
os maus formadores, por parte do Ministério da Educação.
"Desde que foi instituído o "provão" e pelo tempo que
existiu, alguns cursos de Odontologia obtiveram repetidos
conceitos preocupantemente baixos, apesar do resultado dessa
avaliação, não temos notícia de uma única instituição que
tenha tido o curso de Odontologia fechado pelo MEC."
O presidente da ABCD afirma ainda que seria ideal para o
estudante, que ao ingressar num curso de graduação em
Odontologia, tivesse a certeza de que receberá formação com a
qualidade mínima necessária, mas isso, infelizmente, não está
ocorrendo em todas as instituições. Luciano acrescenta que a
avaliação apenas teórica (única forma exeqüível de se
implantar uma avaliação proposta pelo projeto de lei, segundo
ele) numa profissão como a Odontologia, sempre deixaria a
desejar, porém, é importante que, caso esse projeto venha a
ser aprovado, ele seja implantado para aqueles que ainda não
entraram na faculdade.
Luciano antecipa essa condição, pois lembra os altos
investimentos e sacrifícios feitos pelas famílias dos
estudantes que, depois de formados, não devem ser cerceados
do direito de exercer a profissão, a menos que ingressem na
faculdade após a aprovação da lei, pois, aí, sim, já
começariam um curso cientes de que o diploma não bastaria
para o exercício da prática profissional; assim eles podem
optar pelo caminho que desejam seguir, conhecendo os
obstáculos legais antes de escolher estudar Odontologia.
A Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas iniciou uma
ampla discussão sobre o exame de qualificação e ainda não
fechou uma posição devido às discussões estarem em andamento
entre os representantes da entidade nacional em todos os
Estados. "Aproveitamos a oportunidade dessa reportagem para
pedir que os colegas, por todo o Brasil, entrem no site da
APCD www.apcd.org.br ou da ABCD www.abcdbrasil.org.br e
participem da pesquisa que estamos realizando com a classe,
dando sua opinião a esse respeito."
Para Luciano, "a ABCD tem o dever de representar
democraticamente os seu associados por todo o país e,
conhecer a sua opinião, por meio dessa pesquisa é
importantíssimo, pois para nós, que fomos eleitos para
representar a classe, a opinião da maioria deve prevalecer e
ser por nós defendida. Não deixe de nos dizer se você é
contra ou a favor do exame de proficiência em Odontologia,
participe da pesquisa, dê o seu voto!"
Fonte: Jornal da APCD
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