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Farmacologia
Farmacologia
Aplicada na Odontologia - Antibiótico
Autores:Vânia Aparecida Duarte* - Vanessa Aparecida Duarte* -
Roberto Elias** - Fernando Fadel** - Jayme Guitmann**
Resumo
O presente trabalho teve por meta revisar a literatura pertinente à
aplicação do antibiótico na Odontologia. Foram considerados aspectos
relativos como indicações do fármaco, reações adversas e propriedades
especiais da droga.
Palavras-chaves: antibióticos; aplicação; reações adversas.
Abstract |
This study had for goal reviewing the literature conceding the application
of the antibiotics in the odontology. It was considered aspects pertaining
to pharmacological properties, adverse effects and reactions; special
properties of the drug.
Keywords: antibiotics; application; reaction adverse.
Alunas do curso de Odontologia da Universidade Salgado de Oliveira -
UNIVERSO - Brasil *
Professores do curso de graduação de Odontologia: Cirurgia Buco Maxilo
Facial da UNIVERSO- Brasil **
Aceito para publicação em 10/07/2003, após análise do Comitê Científico -
CISPRE
Coordenação: Carmen Ferreira Elias
Introdução
O antibiótico ideal deve ter ação exclusiva sobre o agente etiológico do
quadro patológico em questão, isto é, uma substância com o máximo de
especificidade, o que proporcionaria um tratamento sem efeitos tóxicos ou
colaterais. Este medicamento ainda não está disponível na forma de
antibiótico.(4)
Os efeitos colaterais do uso de antibióticos não se restringem apenas
àqueles diretos sobre a estrutura do hospedeiro, mas também sobre a
microbiota anfibiôntica de cada indivíduo. Esta microbiota desempenha
importante papel ecológico, fundamental para manutenção de um estado de
equilíbrio que se traduz em saúde para o hospedeiro.
Como os antibióticos atualmente disponíveis agem de forma pouco seletiva,
atingindo tanto os microorganismos patogênicos quantos os não patogênicos
é crucial que se faça uma escolha criteriosa do medicamento que resulte no
máximo efeito sobre os microorganismos alvo.
Para esta atuação é necessário revisar os princípios fundamentais
relacionados a utilização racional dos antibióticos, procurando auxiliar o
cirurgião-dentista ao uso da antibioticoterapia.
Uso terapêutico na Odontologia
Os agentes antibióticos possuem três usos principais na prática da
odontologia são eles (6): tratamento de infecção odontogênica; profilaxia
em pacientes com risco de desenvolver endocardite bacteriana ou outros
problemas, devido a bacteremia causada por procedimentos odontológicos;
profilaxia em pacientes com o comprometimento dos mecanismos de defesa do
hospedeiro em decorrência de certas doenças ou tratamento farmacológico.
Seleção correta do antibiótico
Existem vários tipos de antibióticos, estes podem ser usados isoladamente
ou combinados entre si, que podem se empregado no tratamento dentário
(3,1,7). Na escolha do antibiótico ideal deve considerar tais fatores: a
toxicidade do antibiótico; o espectro de ação do antibiótico sempre que
for possível, devemos usar um antibiótico de espectro reduzido para
diminuir a possibilidade de surgimento de microorganismo resistente; custo
do medicamento; forma de ação do antibiótico dando preferência por drogas
bactericidas ao invés de bacteriostática; tenha relação risco/benefício
positiva.
Antibióticos
Deve-se escolher primariamente o antibiótico que preenchem o maior número
de requisitos anteriormente citados. Para facilitar a seleção deste
fármaco serão descrita a seguir as indicações e as reações adversas mais
comuns em cada classificação dos antibióticos mais empregados na
odontologia.
Penicilinas
Quase todas as infecções de origem odontogênicas podem ser eficazmente
tratadas com uma das penicilinas. Em infecções decorrentes por necrose
pulpar o fármaco de primeira escolha nessas infecções é a penicilina V,
historicamente, o antibiótico prescrito com maior freqüência na
quimioterapia de infecções de origem odontogênica. A penicilina G é
reservada, em grande parte para infecções graves (6).
Há casos de limitações das penicilinas sobre certos microorganismos
produtores de penicilinase, nestes casos o antibiótico apropriado deve ser
um derivado da penicilina resistente a penicilinase ou um antibiótico
diferente da penicilina como eritromicina ou clindamicina.
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A penicilina está entre as drogas menos
tóxicas conhecidas devido ao local que atuam - parede celular
entretanto podem produzir alguns efeitos adversos tais como: reação de
hipersensibilidade, diarréia que pode ser minimizadas pela
administração da droga com pequena quantidade de iogurte. |
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Amoxicilina e Ampicilina
Pode ser administrada por via oral, pois este fármaco não é inativado pelo
suco gástrico. É utilizado na odontologia na prevenção de bacteremia
associada a procedimentos como exodontias, em pacientes com risco de
desenvolver endocardite bacteriana, sendo contra-indicado para pacientes
com hipersensibilidade a penicilina e a cefalosporina (1).
A amoxacilina é bastante tolerada pelo organismo sendo comum o
aparecimento de reações adversas como distúrbios gastrintestinais:
náuseas, vômitos e diarréias.
Clindamicina
Raramente é utilizada devido a sua menor eficácia como agente
antimicrobiano e a sua menor absorção por via oral. O uso terapêutico da
clindamicina é recomendado como antibiótico alternativo (depois da
amoxacilina). Em geral a sua administração é em dose única sendo
extremamente improvável a superinfecção.
A clindamicina é indicada para osteíte purulenta ou outras infecções
ósseas (4) causadas por microorganismos anaeróbicos, servem também para
infecções que não podem ser erradicadas pela penicilina ou antibióticos
macrolídeos como a eritromicina.
Os efeitos adversos deste antibiótico consistem principalmente no
distúrbio gastrintestinal que pode manifestar na forma de diarréia grave e
colite pseudomembranosa (5,6).
Eritromicina
O uso do macrolídeo eritromicina no tratamento de infecções odontogênicas
é o segundo mais freqüente, depois dos derivados da penicilina, sendo
reservado como alternativa para pacientes alérgicos à penicilina nas
infecções de pequena ou média gravidade (6). Mostra-se eficaz contra
microorganismo gram negativos e aeróbios.
Esta droga tem aplicação limitada na periodontia porque o seu nível no
fluído sulcular é insuficiente para inibir a maioria dos patógenos
periodontais (2,5).
A eritromicina é um antibiótico notavelmente seguro, que produz um número
relativamente pequeno de efeito adverso, os problemas mais comumente
encontrados são: distúrbios gastrintestinais, a icterícia colestática como
sinal de toxicidade hepática; e efeitos adversos na paciente gestante.
A eritromicina potencializa os efeitos de diversas drogas incluindo
coagulantes orais como por exemplo vaferina.
Metronidazol
O metranidazol tornou-se a droga de escolha para uma variedade de
infecções por protozoários. Este antibiótico não foi adequadamente
avaliado para o uso geral na odontologia, embora tenha aplicação no
tratamento das periodontias.
O metronidazol pode ser utilizado associados a outros antibióticos, sendo
de grande eficácia em relação as bactérias anaeróbicas, não devendo ser
utilizadas isoladamente, pois só seria eficaz em infecções exclusivamente
anaeróbicas (1,6).
Os efeitos adversos mais comuns consistem em náuseas, vômito, anorexia,
língua saburrosa, estomatite e neutropenia que desaparece na interrupção
do uso do fármaco.
A sua interação com o álcool é tão severa que o seu uso deve ser proibido
quando se está tomando metranidazol, a prudência recomenda a contra
indicação da droga nas primeiras 12 semanas gestacionais e quando se pode
usar drogas mais seguras e que são igualmente eficaz.
Tetraciclina
Seu uso disseminado e com freqüência, resultaram o aparecimento de
diversas cepas bacterianas resistentes a este fármaco reduzido a sua
utilidade clínica.
A utilização terapêutica na odontologia deste antibiótico é limitada no
tratamento de infecções orodentais agudas; sendo esta mais empregada em
certos tipos de doença periodontal, tal como, a periodontite juvenil
localizada. A sua vantagem no tratamento desta doença se dá na capacidade
de se concentrar várias vezes no fluído sulcular gengival, cerca de 5 a 7
vezes mais do que no soro, a sua eficácia contra AA (2,5,7), a boa
substantividade e inibição da reabsorção óssea. Contudo a droga é apenas
um coadjuvante no tratamento pois a instrumentação mecânica perirradicular
é primordial na obtenção do sucesso do tratamento (5).
Os efeitos adversos mais comuns são: irritação gastrintestinal,
prolongamento do tempo de coagulação pois a droga atua no microorganismo
que sintetizam a vitamina K; em paciente grávida pode afetar o feto no
crescimento ósseo, ocasionar a pigmentação dentária e promover a
hipoplasia do esmalte. Sendo de relevância ressaltar que este fármaco não
pode ser administrados concomitantes a outros antibióticos e a
contraceptivos orais pois haverá interações farmacológicas.
Conclusões
1. A terapêutica antibiótica é adjuvante no tratamento das infecções
odontogênicas, periodontal e endodôntica, não devendo em hipótese alguma,
ser utilizada como única forma de tratamento.
2. O uso indiscriminado dos antibióticos fez aumentar muito, o número de
espécies de microorganismo resistentes, sendo cada vez mais importante
limitar o uso dos antibióticos às situações em que seja realmente
indicado.
3. Quando da escolha de um antibiótico, é necessário considerarmos as suas
propriedades, visando o sucesso da antibioticoterapia e diminuindo a
possibilidade de ocorrência de reações adversas.
4. Quando diante de uma infecção que não evolui satisfatoriamente, o
profissional deve sempre considerar que possa ter ocorrido uma falha no
tratamento realizado, não devendo haver uma precipitação na troca de
antibiótico, como sendo esta a causa de insucesso.
5. Quando não tiver certeza em qual antibiótico utilizar procurar ajuda à
outros colegas de trabalho antes de prescrever indiscriminadamente um
fármaco.
Referências Bibliográficas
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Artes Médicas, 1999.
2. ASSAF, V. Tetraciclina em Periodontia. Revista Brasileira de
Odontologia,Rio de Janeiro. v.55,n.4,p.246-250, 1998.
3. FONTOURA, R. ; MEDEIROS, P. J. Antibioticoterapias nas infecções
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Set/Out.,1999.
4. OLIVEIRA, J.C. Antibióticos em Endodontia. Revista Brasileira de
Odontologia, Rio de Janeiro. v. 56, n.3, p.134-138, 1999.
5. SALLUM, W.; JUNIOR, F.H.; TOLEDO, S. et al. Revista Brasileira de
Odontologia, Rio de Janeiro. v.53, n.1, p.11-14, 1996.
6. YAGILA, J.; NEIDLE, E. Farmacologia e Terrapêutica para Dentistas. Rio
de Janeiro, Guanabara Koogan, 4 ed. 2000.
7. WANNMACHER, L.; FERREIRA, M.B. C. Farmacologia Clínica para Dentistas.
Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 2 ed. 1999.
fonte: www.cispre.com.br
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