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Vai um cafezinho?

Fotos Alfredo Franco
 

Uma xícara pequena de café contém entre 22
e 33 miligramas de cafeína — praticamente
a mesma quantidade existente em um copo comum de refrigerante do tipo cola
 






Cada vez mais pesquisas mostram que ele é capaz de fazer bem. Tomá-lo moderadamente pode afastar até a depressão

Por Tatiana Ferreira

No século XVIII, quando o café conquistou fama,
os intelectuais se reuniam para falar de literatura, artes e política embalados por goles da bebida quente. Nas últimas décadas, porém, foram jogadas várias acusações nessa xícara. Resultado: preocupada, muita gente só não resiste ao aroma dos grãos torrados quando precisa espantar o sono. Uma pena… Embora continuem aparecendo opiniões contrárias ao consumo desenfreado desse símbolo nacional, cada vez mais pesquisadores botam a colher na briga e defendem os benefícios da infusão. Um trabalho concluído no final de 2000 acompanhou 100 mil jovens de todo o Brasil durante 10 anos e constatou uma incidência menor de depressão e de dependência química entre quem tomava um cafezinho todo santo dia. Depois de passar pelo filtro dos cientistas, componentes que ainda não estão na boca do povo — como os ácidos clorogênicos — se mostraram tão importantes para os efeitos positivos quanto a polêmica cafeína.

A suspeita é de que a bebida evite
o mal de Parkinson

O velho hábito de oferecer café com leite para a garotada — ironicamente fora de moda no país que tem a maior produção desse fruto — bem que poderia voltar às mesas brasileiras. Essa é a opinião de um dos maiores estudiosos do assunto no país, o médico Darcy Lima, do Instituto de Neurologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele é o responsável pela pesquisa que avaliou o consumo de café entre estudantes brasileiros durante toda a década de 1990. "Misturada ao leite, a bebida fica nutritiva e as propriedades não são alteradas", observa.

Satisfação garantida

A ciência ainda não responde tintim por tintim como o café atua na massa cinzenta. As evidências de que ajudaria a afastar a depressão,
o alcoolismo e a dependência de drogas parecem não estar ligadas à cafeína, e sim à ação dos tais ácidos clorogênicos no sistema límbico. Ali suas moléculas parecem se encaixar como chaves mestras em receptores denominados opióides.
"Ao ser ativados pelas drogas, eles produzem sensações de prazer e saciedade", explica Darcy Lima. "Quando estão bloqueados, parece haver uma diminuição da vontade de se entregar ao vício." Outra pesquisa bastante badalada no ano 2000 analisou 8 mil indivíduos entre 45 e 68 anos nos Estados Unidos. Publicada no jornal da Associação Médica Americana, ela indica um risco bem menor de desenvolver o mal de Parkinson para quem bebe, no mínimo, três cafezinhos diários.

Ninguém em sã consciência defende
o consumo exagerado

Às vezes, porém, é preciso abrir mão de um cafezinho — talvez seja o caso das futuras mamães, considerando-se um novo estudo sueco. Segundo ele, a cafeína presente em quatro xícaras pequenas é capaz de dobrar as chances de aborto.

Mas os próprios médicos dizem que ainda é cedo para fazer alarde: “Um único trabalho não pode ser conclusivo”, opina o ginecologista e obstetra Alcides Vara, da Maternidade Santa Joana, em São Paulo. Para ele, bebericar dois ou três cafezinhos diariamente pode até melhorar o astral das gestantes. Uma coisa é certa: café demais pode atrapalhar a formação dos dentes no feto. Uma grávida jamais pode abusar desse prazer.

Coração na mira

O café também sustenta a fama de aumentar os riscos de infarto. Para conferir se isso não passa de mito, a Federação Mundial de Cardiologia vai iniciar um estudo com 40 mil pessoas de vários países. Elas serão divididas em dois grupos:
o dos fãs da bebida e o daqueles que a excluem
do dia-a-dia.

“Queremos saber qual é a turma com maior propensão para males cardíacos”, explica o médico Mário Maranhão, presidente da entidade. Não é tão simples assim. Se café demais causa insônia, nervosismo, pode elevar a pressão e o colesterol, goles moderados agem no sentido inverso, melhorando o humor e a disposição — nesse aspecto o coração deve agradecer.

 
SAIBA MAIS
Visite o site da Associação Brasileira da Indústria de Café: www.abic.com.br
Nele você encontra informações sobre os grãos produzidos no Brasil, dados históricos e dicas
de preparo.

fonte: revista saúde!  edição 210 /março 2001 pág 28

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